09. Gampopa - A Preciosa Guirlanda 7 - As Dez Coisas a Serem Praticadas

gampopaAS INSTRUÇÕES DE GAMPOPA
A GUIRLANDA PRECIOSA DO CAMINHO SUPREMO
AS DEZ COISAS A SEREM PRATICADAS - Capítulo 7 

O texto

1. Tendo se engajado na via do dharma, sem se juntar ao bando de profanos, pratique segundo o Dharma.

2. Tendo abandonado a sua terra natal, sem se enraizar de novo entre os homens, pratique o não apego.

3. Confiando no mestre, abandonando todo orgulho, pratique de acordo com as suas instruções.

4. Tendo-se treinado na escuta e na reflexão, sem ensinar aquilo que conhece apenas teoricamente, pratique o que foi aprendido.

5. Tendo surgido na mente a realização, sem cair na indiferença e na negligencia pratique sem distração.

6. A experiência da meditação tendo surgido, pratique sem se abandonar às distrações das multidões.

7. Uma vez engajados nos compromissos, sem deixar que corpo, palavra e mente tornem-se negligentes, pratique as três instruções.

8. Quando se desenvolveu a sublime mente do despertar, sem se preocupar consigo mesmo, pratique para o bem dos outros.

9. Uma vez engajados no caminho dos mantras (Mantrayana), sem deixar o corpo, a palavra e a mente em estado ordinário, pratique a meditação nas três mandalas.

10. Na juventude, sem perambular sem rumo, pratique os exercícios espirituais aos pés de um santo mestre.

AS DEZ COISAS A SEREM PRATICADAS - COMENTÁRIOS DE KHENPO KARTHAR RIMPOCHE:

A lista anterior era de dez coisas a serem conhecidas, e em seguida temos as dez coisas que realmente devemos praticar. A primeira é que, tendo entrado pela porta do Dharma, não se deixe levar pelo comportamento de rebanho como nas atividades humanas insignificantes, mas pratique o Dharma adequadamente. Uma vez que tenhamos começado a prática do Dharma, é importante contar com as condições apropriadas que apoiarão a nossa prática inicial do Dharma, como ficar em um ambiente solitário onde a prática é possível, e nos cercar de companheiros que irão nos ajudar. Não devemos nos permitir ser atraídos para um monte de atividades insignificantes e distrativas. Isso pode acontecer com muita facilidade no início, nos impedindo de fazer pleno uso da nossa entrada na prática do Dharma. É importante, desde o início de nossa prática até o dia da nossa morte, fazer pleno uso da oportunidade que é o Dharma, criando condições que favoreçam a prática, como o ambiente, companheiros, e assim por diante.

A segunda coisa a ser praticada é, tendo abandonado o seu local de nascimento, não se estabeleça muito firmemente em qualquer lugar. Em outras palavras, pratique sem apego. Como foi dito antes, é importante abandonar o seu local de nascimento, o lugar pelo qual você está mais conectado, com a aspiração correta de desejar transcender o aprisionamento do samsara. Você pode deixar o local de seu nascimento, mas se você não abandonar o apego, você vai recriar os vínculos associados à sua terra natal em algum outro lugar. Você vai se identificar com um ambiente específico e se acomodar nele, o que não é melhor do que estar preso à sua terra natal. É importante que, não importando onde você esteja, manter uma falta de apego.

A terceira coisa a ser praticada é, confiando em um autêntico guru, abandonar a arrogância, e praticar de acordo com o comando dele ou dela. Ao confiar em um professor, deve-se respeitar a validade de seus ensinamentos e instruções e não ter o tipo de atitude arrogante que o faz pensar interiormente que você sabe mais. Diz-se que as qualidades não podem restar   sobre a dura esfera de ferro da arrogância . As pessoas muitas vezes têm uma atitude de pensar assim: "Meus professores sabem muito sobre o Dharma, mas eu não vou tomar os seus conselhos sobre as coisas mundanas. Quando se trata de decisões realmente sérias, eu não confio tanto neles." Se você tem uma desconfiança tão grande assim sobre seus gurus, que surgem a partir de uma espécie de arrogância, não há possibilidade de você gerar em si as qualidades deles e desenvolver o tipo de compaixão que eles encarnam.

A quarta coisa a ser praticada é, depois de ter treinado sua mente através da escuta e da contemplação, ou através do estudo e análise, não basta apenas estar envolvido em falar sobre isso, mas realmente colocar o que você entendeu em prática. Receber instruções ou chegar a um entendimento e apenas repeti-lo aos outros não vai fazer nenhum bem. Tudo que faz é criar ecos. Quando você está com fome e você tem comida, você só vai aliviar a fome na medida em que você realmente comer. Todo o propósito de possuir alimentos é que são para ser consumidos, a fim de aliviar a fome de alguém. Da mesma forma, você deve realmente colocar em prática e fazer uso de qualquer instrução que você receba e qualquer coisa que você vir a compreender através da análise.

A quinta coisa a ser praticada é que, se a experiência ou realização é gerada em seu contínuo mental, não fique esteja satisfeito com apenas isso, mas continue a praticar sem distração. Com frequência é possível ter algum tipo de experiência ou leve realização e achar que isso é o suficiente, que mais diligência e prática são desnecessárias. Isso está errado. É como tentar esfregar dois pedaços de madeira para fazer fogo, e quando eles começam a soltar fumaça, achar que isso é o suficiente. A fumaça é uma indicação de que se você continuar a fazer fricção, você obterá uma fogueira, pois a fumaça em si não é fogo; fumaça não é o suficiente. As indicações de sucesso que você experimenta em suas práticas não são indicações de que você não tem necessidade de praticar mais; eles são indicações que se você praticar ainda mais diligentemente, você vai chegar a algum resultado ou fruição. Portanto, a experiência e a realização devem estimulá-lo a um esforço adicional e não para abandonar o esforço.

A sexta coisa a ser praticada é que quando a prática tiver, em certa medida, entrado em seu contínuo mental, não se perca em distrações sem sentido em meio a muitas pessoas, mas continue a prática. Por exemplo, depois de ter terminado um período de retiro, se você entrar em um estado de completa distração e perder muito tempo, então, com o passar do tempo, o benefício recebido a partir da prática, as indicações de uma prática bem sucedida, e as mudanças em sua personalidade que são marcas de prática, vão diminuir, e sua distração e negligência aumentarão. Finalmente, se não se afastar dessa direção, você vai se dar conta que não tem ficado a menor impressão de qualquer tipo de benefício deixado pela prática que tem feito. O ponto é que se você pratica, você tem que continuar praticando. Você não pode parar e ser apenas descuidado.

A sétima coisa a ser praticada é, depois de ter se entregue ao compromisso de uma certa disciplina e modo de conduta na presença do khenpo, ou upadyaya, ou preceptor no caso de vinaya, ou o mestre vajra no caso de samaya, não deixe suas três portas – seu corpo, fala e mente – decaírem em descuido e preguiça, mas continuamente pratique os três treinamentos em conformidade com os compromissos que você fez. Os três treinamentos são disciplina pessoal ou moralidade, meditação e a aquisição de conhecimento e compreensão.

A oitava coisa a ser praticada é, tendo gerado bodhicitta – a intenção de atingir o supremo despertar – não pratique apenas para seu próprio benefício, mas execute todas as atividades, e especialmente toda a prática, para o benefício de outros. Em conexão com isso, muitas pessoas vêm a mim e dizem: "Eu não posso tomar o voto de bodhisattva, porque eu sou realmente mais preocupado comigo mesmo. Eu não posso simplesmente, de uma hora para outra, renunciar esse pensamento e fingir que eu estou preocupado apenas com as outras pessoas.” De certa forma esta é uma observação válida, mas quando você toma o voto do bodhisattva não é o caso que você deve imediatamente, em um instante, se tornar perfeito. Você tem que continuar trabalhando, ou fazendo o que quer que você precise fazer para sobreviver, mas você deve praticar o máximo Dharma que você possa, e praticá-lo para o benefício de outros. Lentamente, por incutir tal motivação, a preocupação para com os outros vai crescer, o treinamento relacionada com o voto de bodhisattva vai se enraizar em você.

A nona coisa a ser praticada é, depois de ter entrado pela porta do mantra secreto através receber a iniciação (capacitação), não deixe o seu corpo, fala e mente em um estado ordinário, mas pratique o estabelecimento de seu corpo, fala e mente como sendo as três mandalas. Isto significa reconhecer que o seu corpo é a divindade, que a fala e todos os sons são o mantra, e que tudo o que ocorre na mente é a extensão da sabedoria. O ponto é manter a atitude que o seu corpo, fala e mente são o corpo, fala e a mente de todos os Budas.

Em seguida, a décima coisa a ser praticada é que, quando você é jovem, não perca seu tempo vagando sem sentido, mas pratique com austeridade na presença de mestres autênticos. Quando as pessoas são jovens tendem a ir passear, a viajar (run around) e buscar novas experiências. Por exemplo, no Tibet, quando as pessoas eram jovens, muitas vezes gastavam muito tempo indo em peregrinação para as dezoito regiões e assim por diante. É verdade que estes são lugares que têm grandes bênçãos, porque eles foram consagrados pelos siddhas do passado, mas ir para as diversas montanhas, e assim por diante, envolve uma boa porção de dificuldades e trabalhos. Seria melhor, quando você é jovem e tem uma mente clara e um corpo forte, fazer uso dessas faculdades, não em tais atividades, mas para ficar em um lugar e praticar na presença de professores, que envolve em grande parte as mesmas dificuldades.

Estas são as dez coisas a serem praticadas.

 

03/03/2017 - As Dez Coisas a Serem Praticadas Play Download

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Tags: Gampopa, Palden Shangpa SP

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Estudos

O grupo trabalhou, sob orientação do Lama Uangdu, na tradução do texto "As Instruções de Gampopa: A preciosa guirlanda do caminho supremo".

Os capítulos traduzidos até o momento estão disponíveis a todos, nesta seção.

Atividades

Nos primeiros meses de atividades, o Palden Shangpa São Paulo já teve a oportunidade de receber a visita e os ensinamentos dos queridos Lama Trinle e Lama Sonam, de Brasília; Lama Tartchin, do Rio de Janeiro; além dos encontros mais frequentes com Lama Uangdu, de São Paulo. (veja mais)